Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008
DE BARCO ÀS TAIPAS

O jovem João Silva rema de Barco às Taipas, cruzando o espaço para incómodo de alguns e gozo de outros.

 

O pcptaipas não se sente incomodado e saúda mais um cidadão que resolve dizer em voz alta o que sente e quer, anda que nem sempre com base em dados despidos de preconceito ou deturpados.

 

Quando coloca de um lado os democratas que se bateram pela liberdade em Portugal e lado oposto os comunistas, o jovem João Silva não está só a ser injusto, está sobretudo a faltar à verdade histórica. Para que o jovem João possa pensar alto e dizer o que pensa e quer sem correr o risco da detenção, da farsa de julgamento e da prisão quase sempre acompanhada à mistura com a tortura, muitos comunistas sofreram e pagaram muito caro a ousadia de lutar. Alguns pagaram mesmo com a própria vida, João. Outros somam muitos anos de vida nos calabouços. Muitos eram jovens, como você, João, sonhadores.

 

Não precisa de conhecer a história do PCP para saber isto e muito mais. Bastava que sobesse a história do Portugal moderno que devia ser contada nas escolas e não é. Ou melhor a que é passa por isso como raposa em vinha vindimada. E sabe para quê, amigo João? Para que os jovens digam o mesmo que você diz , convencidos de que estão a dizer a verdade.

 

Sobre nós escreva à vontade. Vai ver que não comemos criancinhas e que somos realmente uns utópicos: queremos um Portugal mais justo, mais fraterno, mais solidário. E por isso não nos conformamos com as desiguadades sociais e combatemos as ideias que as tornam possíveis.



publicado por org. pcp-taipas às 16:45
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5 comentários:
De João Daniel Monteiro Silva a 22 de Janeiro de 2008 às 17:41
Dr. Capela Dias e amigos comunistas, o propósito do meu blogue não é incomodar ou dar gozo a alguém... Escrevo o que penso porque não estou disposto a vender-me para atingir os meus sonhos, ambições e objectivos... E este caminho não tem volta possível! Ah! Não se pense que eu não tenho ambições... Desde que me conheço que tenho ambições mas não pago com a minha Honra para as atingir... (era só uma clarificação)
Respondendo àquilo que publicam deixe-me dizer duas coisas.
Primeiro, não suporto que se refira desse modo ao Ensino em Portugal. É como dizer mal do meu Pai! Aquilo que sei devo em grande parte ao Ensino Português que, com todos os seus defeitos, ainda forma os Homens que se querem fazer como tal.
Segundo, suponho que fui mal interpretado naquilo que disse. Referi-me sempre e só ao comunismo como sistema e nada mais. Quer exemplos? Olhe para o que aconteceu à URSS e à China, sim, porque Maoismo e Marxismo-Leninismo é na essência a mesma palha. Mas falo-lhe do exemplo português! É verdade que houve Homens de enormissimo valor afectos ao comunismo que lutaram e pagaram com a própria vida pela liberdade em Portugal! É inegável... Mas há a outra face da moeda e insistem em colar-se somente à primeira. Quando no poder veja-se o que Gen. Vasco Gonçalves fez ao país e o que o Dr. Cunhal tentou fazer! Se o Dr. Soares fez alguma coisa de bom na vida foi aquele comicio/manifestação na Fonte Luminosa! (Ah! Não pense que nas escolas deste país se trata mal o comunismo! Sabe uma coisa? Nas escolas deste país não se sabe o que foi o 25 de Novembro... Talvez se devesse saber!) Isto para lhes dizer que uma coisa é o comunismo outra os comunistas (espero fazer-me entender)... Por incrível que pareça, há dias, o homem com a cara mais deslavada deste país (Monsenhor Melo) dizia o mesmo...
Para lhe mostrar ao que chega o comunismo e alguns comunistas exemplifico-lhe com um acontecimento recente! A morte do Luis Pacheco e o discurso do José Casanova no seu funeral... Pelo amor de Deus, aquele homem era um louco e não digo mais porque ele, infelizmente, já não se pode defender! Mas caramba... São estes os camaradas que mereçem bandeira e discurso?

PS. Referi-me neste texto a três homens que já faleceram. Desculpo-me perante aqueles que entendem o que esrevo como uma falta de educação ou respeito mas falo em nome da verdade histórica... Pelo menos da minha verdade...


De Cândido Capela Dias a 23 de Janeiro de 2008 às 12:35
Caro João:

O meu camarada Rogério já disse parte - e parte importante, digo eu - do que havia para dizer sobre os seus comentários. Porém, permita que acrescente algo da minha lavra.

Primeiro, nós remetemos para as história do PCP e dos comunistas portugueses, deixando de lado outros partidos comunistas e os comunistas de outras latitudes. E não é fuga ao debate ou manobra para sacudir a água do capote: é apenas circunscrever as respostas ao domínio que Você pré-fixou ao trazer expressamente à colação o exemplo de Portugal. Pode crer, pedimos meças a qualquer outro partido político nacional em matéria de luta abnegada pelas liberdades.

Depois, Você fala em Vasco Gonçalves e Álvaro Cunhal. Nomeia-os, enlameia-os , mas não deu um só exemplo comprovativo da sua acusação. O general Vasco Gonçalves nunca foi comunista, mas foi um patriota, um homem íntegro e um democrata a quem o povo e em particular os trabalhadores devem o mais espectacular avanço nas condições de vida e de trabalho que até hoje Portugal teve. Digo eu e dizem-no os relatórios do FMI e da OCDE. Faça o esforço de os consultar para o período em que ele foi primeiro-ministro.

Para o poder contrariar sobre Álvaro Cunhal sem cair em lugares comuns aguardo que Você me identifique onde, como e quando ele atentou contra a liberdade. Aceite o desafio e depois falaremos em concreto, está bem?

Sobre Luiz Pacheco, meu caro, Você desculpe que lhe diga mas meteu os pés pelas mãos. Como escritor foi brilhante no seu estilo, contundente, irónico, crítico de costumes e da sociedade do seu tempo.

Foi boémio, foi irreverente, foi polémico e provocador, e talvez mais coisas, mas o PCP é um partido de homens não de santos. Se o PCP recusasse a adesão livre e voluntária do Luiz Pacheco com base em preconceitos, agora teria à perna os bem-pensantes, os imaculados que acusariam de praticar descriminação com base na orientação sexual ou afins. Mas o PCP não o fez, aceitou-o e bem e ao fazê-lo deu uma lição de não descriminar ninguém. O resto é a história do velho, do rapaz e do burro. Conhece? Julgo que sim.

Sobre o 25 de Novembro. Um dia se saberá a verdade, pode crer. Não tão cedo quanto Você e eu desejaríamos , mas ela virá à tona. Cita uma personagem que esteve envolvido em actos contra os comunistas e podia ter citado outra, o General Jaime Neves, à data comandante do Regimento de Comandos da Amadora. Ele disse que ainda há muita coisa por contar e acrescentou que tem dúvidas sobre quem iniciou os acontecimentos: se ele e o seu regimentos e o "grupo dos Nove", se os pára-quedistas de Tancos que inesperadamente se rebelaram. A este respeito permita que lhe cone a história que se conta sobre Chu En Lai, primeiro-ministro da China ao tempo de Mao Tse Tung . Interrogado em Pequim pelo presidente da República de França sobre a sua opinião a respeito da Revolução Francesa, ele respondeu "ser ainda cedo para se poder pronunciar".

Como vê, não exageramos ao dizer que a história moderna e contemporânea de Portugal é mal contada aos nossos alunos. E é-o, por exemplo, quando atira para as costas dos comunistas e do PCP culpas que são de outros. E isso não acontece por acaso: é uma visão conveniente da história, porque os seus ideólogos sabem bem que ninguém melhor que os comunistas e o seu partido se opõem ao capital e à exploração dos povos.


De vermelho vivo a 22 de Janeiro de 2008 às 18:42
Caro João,

Apenas três notas:

Admiro o seu orgulho no ensino português mas... o que escreve demonstra que efectivamente lhe ensinou pouco e de forma deturpada.
Repare que não lhe atribuo as culpas a si. O João é apenas mais um produto e a prova do ensino caracterizado no texto.
Quando diz: "veja-se o que Gen. Vasco Gonçalves fez ao país e o que o Dr. Cunhal tentou fazer!" estamos conversados quanto ao tipo de análise superficial e inquinada que o ensinaram a fazer da nossa história contemporânea.

Caro João, não é possivel separar o comunismo dos comunistas. Não existe comunismo sem comunistas.
Aquilo em que o João demonstra desconhecimento é no seguinte:
O comunismo é um modelo de sociedade assente efectivamente no Marxismo-Leninismo.
Mas cada modelo não é separável da região em que acontece e das circunstâncias que o rodeiam. Logo, não é separável da cultura desse povo, dos seus hábitos e costumes, dos seus anseios e por aí fora.
Confundir a solidariedade internacionalista com a ideia de que o modelo comunista é único, independente do país, das circunstâncias ou das condições, é mais uma simplificação que peca apenas pelo desconhecimento.

Quanto à análise sobre Luiz Pacheco, pelo que escreve, presumo que pouco ou nada leu ou conhece sobre ele. Apenas li barbaridades iguais escritas por preconceituosos articulistas que passaram por cima da sua faceta artistica e acima de tudo não lhe perdoaram exactamente a sua militância comunista.

Por fim deixe-me dizer-lhe que os comunistas sabem bem quem são os camaradas que querem e merecem bandeira e o discurso. Felizmente, essa decisão não cabe a qualquer profeta caído do céu.

Resumindo, talvez até seja eu que esteja totalmente enganado, mas olhe que fico com a sensação de que o tal ensino de que tanto se orgulha lhe ocultou muita coisa imprescindível às análises que pretende fazer.


De João Daniel Monteiro Silva a 22 de Janeiro de 2008 às 19:10
Na verdade mantenho este diálogo por me parecer estar a dialogar de forma saudável e construtiva com a pessoa 'do lado de lá' e também porque estou e estarei sempre disposto a aprender com quem quer que seja...
Em relação aos três pontos em que me respondeu vou colocar-lhe três perguntas que gostaria de ver respondidas embora tenha toda a liberdade para não o fazer.
Em relação à 1ª nota, diga-me o que é que esteve na base do 25 de Novembro? E já agora, quem é que alimentava o COPCON?
No que respeita à 2ª nota, esclareca-me por favor qual é a aplicação que o marxismo-leninismo pode ter na sociedade e cultura democrática portuguesa e alguns principios como a propriedade privada?
Finalmente, desculpo-me pelo atrevimento na questão de querer dizer onde se deve por ou não a bandeira do PCP mas diga-me uma coisa. Dou-lhe razão quando elogia a obra do Luiz Pacheco (nunca a pus em causa) mas diga a todos o que foi a sua vida? Eu nem me atrevo a colocar questões! Aliás escrevi-as mas voltei a apagá-las porque seria demasiado indelicado a roçar a falta de respeito pela pessoa em causa.,,
Agradeço pela oportunidade de diálogo fácil e construtivo....



De vermelho vivo a 22 de Janeiro de 2008 às 23:14
Claro que sim, João.
E tenha a certeza de que este é, e será sempre, um espaço de liberdade e aberto à discussão sem qualquer tipo de tabús.
Discussão saudável e se possivel construtiva. Nunca poderá ser, nem será, um espaço de libertinagem ou insulto.
Já agora, caro João, este espaço é assim, porque são assim os comunistas, convictos e coerentes nos seus ideais mas respeitando as opiniões divergentes sem sectarismos ou preconceitos de qualquer espécie.
Quanto às suas perguntas, como deve calcular, seria necessário escrever imenso para poder responder esclarecedoramente. Assim vou antes dar-lhe algumas dicas onde poderá encontrar as respostas que pretende e tirar as suas coclusões.

Você é um jovem, eu também sou suficientemente novo para não ter vivido activamente esse período, mas se estudar bem a história do pós 25 de Abril e analisar os contornos que antecederam o 25 de Novembro (e existem muitos documentos sobre isso), vai concluir e perceber que na base deste golpe contra-revolucionário esteve a vontade de aniquilamento da revolução e o aniquilamento do PCP.

Recomendo entre outras, esta leitura como contributo:
Http://www.rebelion.org/brasil/030713cunhal.htm#cap_2

Quanto ao COPCON, como deve saber, era comandado por Otelo Saraiva de Carvalho que, de comunista ou relação com estes, não tinha rigorosamente nada. Tinha sim, uma grande dose de ingenuidade e de utopia pseudo-revolucionária.

Quanto à aplicação que o marxismo-leninismo pode ter na sociedade e cultura democrática portuguesa, pode encontra aqui a resposta:
Http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=30846&Itemid=390

Quanto a Luiz Pacheco... Ó meu caro João, não acha que é uma grande presunção e deselegância, julgar o modo de vida que cada um escolhe para si?!
Em que é que se acha superior a Luiz Pacheco para fazer juizos de apreciação ao seu modo de vida?! Sabe o que representam as palavras "liberdade individual"? E fico-me por aqui nesta questão.

Apareça sempre.


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